Título: Paris é uma festa
Autor: Ernest Hemingway
Tradutor: Ênio Silveira
Editora: Círculo do livro
Confesso que o filme Meia-noite em Paris, de Woody Allen (no qual o protagonista cita o romance de Hemingway) e o entusiasmo com que minha esposa falava da obra me impulsionaram a ler o livro.
Sem dúvidas, todos os predicados associados à escrita de Hemingway se justificam nesta obra. O estilo conciso e direto e a habilidade de observador do mais célebre representante da chamada "geração perdida" estão muito bem trabalhados neste relato.
O leitor, invariavelmente, sucumbe aos encantos da Paris dos anos 20. A "Cidade luz" é hábil e amorosamente descrita por Hemingway. Além disso, pululam naquelas páginas personagens historicas, descritas com gênio e vivacidade pelo autor.
Dentre essas personagens, avultam as figuras de Gertrud Stein, por cuja casa passaram os maiores autores da época, a quem acolhia e aconselhava, e a de Ezra Pound, que, além de gênio, foi um homem imensamente generoso e preocupado como o rumo dos jovens autores. Há também o complexo gênio de Scott Fitzgerald, admirado e criticado por Hemingway, graças a seu humor oscilante. Fitzgerald, que à época já era conhecido por O grande Gatsby, ocupa grande espaço na obra, em parte pela relação conturbada que vivia com sua mulher(a bela e emocionalmente instável Zelda Scott), em parte pela amizade pontilhada de atritos com o próprio Hemingway.
Ante esse desfile de figuras imortalizadas na obra , emergem ruas, bistrôs e livrarias ( como a mítica Shakespeare & Compahia, ponto de encontro daqueles escritores americanos e britânicos, cientes da possibilidade de adquirirem bons livros).
Por fim, acompanhamos o percurso "Papa" Hemingway em seus primórdios, momento em que seu talento já despontava para chegar no grande narrador que ele seria.
Tempos de beleza e sonhos numa cidade que respirava isso tudo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário